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MEUS PALHAÇOS ESTÃO NO ASFALTO

OLHEM LÁ, MEUS PALHAÇOS ESTÃO NO ASFALTO


Hoje despertando à vida me dei conta que o sonho acabara, que os sorrisos do meu passado foram todos vendidos, onde já dizia o Poeta numa triste acertiva, "Tão barato que eu nem acredito". O mundo encantado do Circo foi-se indo sem aparente destino e meus palhaços já sem picadeiros estão no asfalto.



Desse mundo encantado só nos restam as lembranças se é que temos tempo para lembrar, pois do circo, onde embalávamos nossa imaginação de criança, onde enchíamos  os olhos de encantamento, deu-se o lugar as frias tecnologias extra-terrestres, extra-sensíveis, denominadas 3D,  mas esse "D" embalam na verdade verbos descabidos onde fazem desmoronar as mais empolgantes utopias, visto que, de nada traz de novo ao povo só nos arrancam o sorriso gostoso o bem da criança mais precioso.

Para nossa desilusão, por circunstâncias imprevistas, repentinamente nos sinais de transito estão lá nossos sonhos nossa inocência, e como um imponente pesadelo os palhaços estão literalmente no asfalto realizando seus respeitados espetáculos para um público nem tão respeitável assim, onde em incansáveis  vezes desdenham sua presença em atitudes de desprezo num ar de imaginável superioridade expressadas pelo fechar das janelas dos carros sob suas faces, fazendo-os amargar singelas lembranças das infinitas vezes que eram-se abertas  as cortinas em louvor desses Artistas. No hoje num lamentar constante Malabaristas cospem  o fogo que os restam de suas forças.



É impossível não ser sensível ao fitarmos os olhos desses heróis, seu martírio seu descontentamento imploram por seu tão amado lar, que todavia para alguns ignorantes eram apenas um "Circo. Era comum na multidão ouvirmos dizer, que entre o Chão e o Espaço, tudo que sorrir era do Palhaço, contudo, a verdade é que o sonho acabou e eles estão no asfalto trazendo no canto da boca um sorriso amarelo enganando a se mesmo, e tal qual um pedinte esperam mais uma vez o semáforo fechar ficar vermelho, para que confundam seus olhos tristonhos, entretanto, mesmo diante de tal incômodo tormento relutam, negam-se mas sempre realizam um novo show, negar-se, de nada adianta o esforço, pois o Palhaço tem como ofício fazer sorrir, seja quem o aplaude, ou quem o ignore. Apesar que dessa vez tem um outro porém, a vida lhes proponham uma outra delicada situação, eles não nos pedem mais aplausos mendigam o sustento, num doloroso sorriso quase parecendo se ferir.
Meus Palhaços não tem mais para onde ir, uma vez que, hoje infelizmente eles vivem e angustiadamente morreram no asfalto...

Tenho dito,


Beto Nazário

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